sexta-feira, agosto 18, 2006

Decretada prisão de tucano

O prefeito de Itaberaba, Washington Luiz Deusdedith Neves (PSDB), ligado ao deputado federal Jutahy Júnior (PSDB), está desde ontem foragido da polícia. Ele teve a prisão decretada pelo juiz Mário Soares Caymmi Gomes, da 1ª Vara Cível da comarca do município, porque não pagou uma dívida de R$8,7 mil, de 2003, quando estava no primeiro mandato – o gestor foi reeleito em 2004 -, com a empresa União Química Farmacêutica Nacional S/A, com sede em São Paulo. O pagamento da dívida foi uma determinação da Justiça baiana, que o tucano não cumpriu, daí porque foi decretada a prisão.

O prefeito, que foi cassado em fevereiro deste ano por determinação do mesmo juiz, após ser acusado pelo Ministério Público Estadual (MP) de desviar R$122.862,36 dos cofres municipais – ele retornou ao cargo por determinação do Tribunal de Justiça da Bahia (TJ) -, foi procurado durante todo o dia de ontem por uma tropa de oito policiais, a mando do delegado Claudio Oliveira, responsável pela 12ª Coordenadoria Regional de Polícia. As buscas, garantiu o delegado, prosseguem hoje.

O titular da 1ª Vara Cível de Itaberaba também decretou a prisão do ex-secretário de Saúde do município, Albin Johan Jursa, que, em 2003, era titular da pasta. Ele chegou a ser preso na delegacia, mas foi liberado sob pagamento de fiança no início da noite.
Segundo a advogada Adriana Luizari Rozaz, gerente jurídica da União Química Farmacêutica Nacional S/A, que entrou com um mandado de segurança, no final de 2003, pleiteando o pagamento da dívida, a empresa fez um contrato administrativo com a prefeitura de Itaberaba no valor total de R$17,4 mil, para o fornecimento de medicamentos e mediante licitação.
“A prefeitura insistia em não pagar a dívida. Então fizemos um acordo para dividir o valor em quatro parcelas. A prefeitura não cumpriu o pagamento de duas delas, que totalizam R$8,7 mil. Mas a Justiça foi feita, felizmente”, comemorou a advogada.

A notícia da decretação da prisão do prefeito pegou de surpresa a cidade. Os vereadores da oposição comemoraram. “Foi uma surpresa porque não esperávamos. Mas, por outro lado, conhecemos o prefeito e sabemos que ele não gosta de pagar suas contas. Ele gosta, sim, é de desviar recursos públicos, como já foi denunciado pelo MP”, disse o vereador Ricardo Pimentel (PTdoB).

O MP levou cerca de um ano para levantar provas consistentes contra Washington Neves, com base em denúncias do vereador Ricardo Pimentel (PTdoB). E descobriu um esquema gigantesco de desvio de recursos públicos, envolvendo a prática de crimes como peculato, fraude em licitações, falsidade documental e ideológica, falsificação de assinaturas, uso de documentos falsos e extravio de registros públicos, formação de quadrilha, todos praticados em prejuízo ao erário.
O esquema, comandado pelo gestor, envolvia também outras 16 pessoas, entre agentes públicos e particulares. Entre as denúncias está a compra de medicamentos em empresas fantasmas e até falsificação de documentos do Tribunal de Contas dos Municípios (TCM).

Fonte: Correio da Bahia (18.08.2006)