terça-feira, junho 27, 2006

Como a mídia enrola e mente

Por Laerte Braga - 16 de junho de 2006

O Instituto Nacional de Criminalística entregou à Polícia Federal o resultado do exame da assinatura de Dimas Toledo, ex-diretor de Furnas e um dos tesoureiros das campanhas de FHC, José Serra, Eduardo Azeredo e um monte de deputados e senadores de vários partidos, principalmente PSDB, PFL e PMDB.

A briga de Roberto Jéferson com o ex-ministro José Dirceu começou numa disputa pelo lugar de Dimas Coelho. Jéferson admitiu ter recebido 75 mil reais de Dimas em uma de suas campanhas.

O PTB, uma quadrilha intermediária no rol dos partidos quadrilhas, queria o lugar de Dimas, lógico, milhões de reais à disposição para o esquema. Como não conseguiu, Roberto Jéferson botou a boca no trombone.

À época a chamada grande mídia silenciou sobre esses fatos. Não disse nada, ou disse muito pouco sobre a chamada Lista de Furnas. "VEJA" então sequer tocou no assunto senão para desqualificar a denúncia. Ou para usá-la contra o governo.

Os cartórios que reconheceram a firma de Dimas e autenticaram cópias do documento original da lista, divulgaram nota pública afirmando que não o fizeram sem que o original estivesse em mãos para tanto.

O grau de cinismo de um político corrupto como Antônio Carlos Magalhães é impressionante. O senador fala em honestidade na vida pública como se fosse o paladino da decência e da dignidade.

ACM Neto comportou-se de forma histérica na CPI que investigava o mensalão. Está na Lista de Furnas. Pegou uma grana.

José Serra levou outra grana para sua campanha. Eduardo Azeredo outra tanta grana. O deputado Arnaldo Faria de Sá, o tal que se sentiu ofendido pelo advogado do PCC (concorrente nos negócios), está lá na lista.

Robson Tuma e o principal defensor dos latifundiários no País, Abelardo Lupion. Jutahi Magalhães, que quase teve crises ao defender a honestidade na vida pública também está lá.

A quantidade de pastores e "bispos" que ludibriam a boa fé das pessoas num dos melhores "negócios" dos últimos tempos, igrejas evangélicas e que está na lista assusta. Percebe-se, com clareza, o nível de banditismo existente nos principais partidos do País e mais que isso, fica óbvio a disputa de poder, a busca da chave do cofre.

O Estado brasileiro é a mãe de todos eles. Provém a políticos num modelo falido porque podre.

Jair Bolsonaro, o torturador que levou outro torturador ao depoimento de José Genoíno recebeu cinqüenta mil reais da turma da Lista de Furnas. Alberto Goldman, o que defendeu o impedimento de Lula. Zulaiê Cobra, que investiu contra Dirceu como se fosse a campeã da moralidade. Ambos estão na lista.

E a mídia?

Nada. A não ser que o fato escape ao controle vai ficar guardado.

Não há interesse em noticiar o que contraria interesses de banqueiros, de grandes empresas, de latifundiários. São os donos, são os principais acionistas. São os que enchem as televisões de verbas publicitárias. Os jornais, as revistas.

Dimas Toledo foi para Furnas operar o esquema de dinheiro das estatais para as campanhas tucanas. Permanece no cargo, lógico, pois José Dirceu percebeu sua importância para as eleições futuras. Dimas não tem partido. Seu compromisso é com quem paga.

Já a mídia, essa esconde, escamoteia, não quer que o brasileiro saiba que de quinhentos e cinqüenta, sei lá, deputados, e mais oitenta e um senadores, sobram, no máximo, uns cinqüenta de fato comprometidos com um mandato público lato senso.

O resto é a turma das listas.

E a mídia? Essa está no bolso dos donos.

Aos saqueadores dos cofres públicos da Bahia

A Polícia Federal começou a ouvir 80 implicados na Lista de Furnas. A assinatura do ex-diretor de Furnas, Dimas Toledo, é autêntica, conforme a perícia. A lista contém 156 nomes de políticos que teriam sido financiados pelo caixa 2 nas eleições de 2002.

Até agora só Roberto Jefferson (PTB), autor das denúncias do suposto mensalão confessou ter recebido R$ 75 mil do caixa 2 de Furnas, conforme consta da lista.

A maioria dos políticos é do PFL e do PSDB. A lista foi fartamente divulgada pela Internet. José Serra e Geraldo Alckmin estão lá. Aécio Neves está lá.

Da Bahia tem muitos, entre eles, Paulo R$ 250 mil Magalhães, sobrinho de ACM, Fábio R$ 200 mil Souto, filho de Paulo Souto, ACM R$ 150 mil Neto, Luiz R$ 100 mil Carreira, Jairo R$ 100 mil Carneiro, Gerson R$ 75 mil Gabrielli, José Carlos R$ 75 mil Aleluia. A lista não prova que essa gente recebeu a grana, mas todos são suspeitos para a Polícia Federal. Serão investigados.

Aparece o original da "Lista de Furnas"

A lista de Furnas parece ter se transformado em mais um da série de escândalos que eclodiram em meio às turbulências políticas em Brasília e freqüentaram as manchetes dos jornais para, logo em seguida, cair no mais absoluto esquecimento e descrédito.

Parecia.

A investigação sobre a suposta arrecadação clandestina de doações eleitorais a quais 160 candidatos, organizada pelo então diretor da estatal Dimas Toledo, ganhou novo fôlego.

Após meses de idas e vindas, negativas e contradições, o lobista Nilton Monteiro entregou à Polícia Federal o que afirma ser o original da tal lista.

Perícia encomendada pelos delegados responsáveis pelo inquérito atestou não existirem sinais de fraude no documento. Atestou ainda que a assinatura no final das páginas pertence mesmo a Dimas Toledo.


Leia trecho no site da APCF - Associação Nacional dos Peritos Criminais Federais

Confira no site da Carta Capital e leia reportagem no número 398, de 21 de Junho de 2006

Carta aberta ao senador Arthur Virgílio

Vi com perplexidade o depoimento de V.Exa. na tribuna do Senado na noite de ontem. Mais uma vez utilizando-se de bravatas e agora numa atitude de chantagem explícita, o senhor desafia o Ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos, a derrubar o laudo da Polícia Federal que atesta a autenticidade da "lista de Furnas" num prazo de 24 horas, caso contrário "ele vai ver o que é bom prá tosse". Fica clara a tentativa do senador em tentar evitar a apuração das denúncias de caixa dois tucano nas eleições de 2002.

Desde o aparecimento das cópias da famosa lista, V,Exa. e vários outros tucanos de alta plumagem, tentam desqualificá-la, assim como tentaram fazer com a lista de Cláudio Mourão, que além de demonstrar o imenso caixa dois na campanha à reeleição do então governador Eduardo Azeredo, mostrou a utilização na mesma de recursos públicos oriundos de empresas estatais e o nascedouro do valerioduto. A tática foi a mesma utilizada agora: desqualificar o denuncinte, falar em falsificação e, quando da comprovação da autenticidade da assinatura e de que não houve montagem, tentar se passarem por vítimas de perseguição da Polícia Federal.

O senhor senador que ameaçou até bater no presidente, me processar, dar prazo de 24 horas para o ministro dizer que a lista é falsa, não mostra a mesma valentia contra o autor da lista. Se, como diz V.Exa. a lista é falsa, a responsabilidade é somente dele, afinal o laudo comprova ser verdadeira a sua assinatura e também não haver montagem. Porque então não processa o Sr. Dimas Toledo? Estaria o senador com medo da verdade?

A bravata e a chantagem de V.Exa., na tentativa de intimidar e sufocar a apuração, pode acabar sendo um tiro no pé. Que Furnas, através de Dimas Toledo, sempre foi utilizada como fonte de arrecadação para as campanhas tucanas, todos aqui em Minas já sabiam, embora até então não fosse ainda comprovado. Era um verdadeiro segredo de polichinelo. Resta agora à PF tornar público o laudo e avançar nas investigações. O ministro é um homem honrado e a Polícia Federal tem atuado com total isenção e liberdade. Nunca se apurou tantos crimes como agora, coisa impossível de acontecer em governos tucanos, que se especializaram em varrer a sujeira para debaixo do tapete..

Por fim, é bom se lembrar que Nilton Monteiro falou que além do original da "lista de Furnas", já apresentado e periciado como verdadeiro, ele possui recibos assinados pelos beneficiados pelo esquema. E é bom não duvidar pois, foi através de suas denuncias, que se desbaratou o grande esquema de corrupção do então governador capixaba (também tucano) José Ignácio e se mostraram mentirosas as versões de Cláudio Mourão, Eduardo Azeredo e agora Dimas Toledo. A verdade virá à tona!


Rogério Correia
Deputado estadual - II vice-presidente da ALMG

Franklin Martins afirma que a “Veja” pagará caro

Afastado da Rede Globo após quase uma década de trabalho, um dos mais conhecidos comentaristas políticos do país analisa a chamada “crise do mensalão” e avalia que a imprensa foi longe demais no episódio.

Publicaram coisas gravíssimas sem qualquer prova, como os casos dos dólares de Cuba ou das contas externas de membros do governo.

Depois sentaram em cima do assunto, como se não fosse com eles.

A “Veja” pagará o preço pela perda de credibilidade.

Não entendo até agora porque a “Veja” faz isso com a “Veja”.

Vai levar muito tempo para que ela recupere a credibilidade.

Fizeram várias denúncias sem qualquer base, sem checar as informações.

A imprensa não pode achar que pega o povo pelo nariz e o leva para lá e para cá.

A mídia está sendo julgada pelos leitores.


Leia entrevista à Carta Maior

Que mistura é essa?

Resta alguma dúvida sobre os verdadeiros motivos dessa moça ter saído do PT? Alguma dúvida do porquê o ACM (também na foto) a indicou como uma das que apoiaram o deputado sócio do Juiz Lalau, na quebra do sigilo do painel eletrônico do Congresso?
Na época a atriz se fez de indignada com seu correligionário, assim como hoje chama de quadrilha aos seus amigos, apesar de, como aqui, não sair do lado deles.
Se eles são os bandidos, qual o papel dessa moça nesse filme? Se é o de cavalo de bandido, qual papel reserva para seus eleitores?

segunda-feira, junho 26, 2006

Frases de efeito

"De tanto ver triunfar as NULIDADES, de tanto ver prosperar a DESONRA, de tanto ver crescer a INJUSTIÇA, de tanto ver agigantar-se o poder nas mãos DOS MAUS, o homem chega a RIR-SE da honra, DESANIMAR-SE da justiça, e TER VERGONHA de ser honesto." (Ruy Barbosa)

"A vida na terra é somente uma passagem; no entanto, alguns vivem como se fossem ficar aqui eternamente, se esquecendo de cuidar das pessoas, do MEIO AMBIENTE e de ser feliz. O valor das coisas não está no tempo em que elas duram, mas na intensidade com que acontecem; por isso existem momentos inesquecíveis, coisas inexplicáveis e pessoas incomparáveis." (autor desconhecido)

"Os poderosos podem matar uma, duas até três rosas, mas nunca deterão a primavera." (Maiakovisk)

"Todos nós somos seres políticos e precisamos da ética, para promover o bem comum. Ser cidadão com sentimento ético é ter consciência de seus direitos e deveres. Dessa interação, instaura-se uma sociedade democrática humanizada, norteada pelos valores da justiça e da solidariedade." (autor desconhecido)

"A democracia requer, além do voto consciente: A fiscalização dos atos administrativos dos gestores públicos, a discussão da política administrativa e a proposição de medidas para a melhoria da qualidade de vida da maioria da população” (10 Envolvimento)

"Encontre tempo para tentar entender os sentimentos de cada um. Quando o coração está aberto torna-se fácil compartilhar os sentimentos. A face perde sua tristeza. Porém a base para um coração aberto é a confiança. E o primeiro passo nesta direção é a autoconfiança. Você não será capaz de confiar em si mesmo se estiver distante da sua verdade interior. Sentimentos verdadeiros criam um coração limpo. Quando o coração está limpo, é natural sentir o que há no coração dos outros." (Dadi Janki)

26/06/2006
Assessoria de Imprensa - PT/Ba

Senador quer anular proteção a Abrolhos

Sócio de empresa com interesses na região é co-autor de decreto que susta zona de amortecimento do parque marinho

Parlamentar evoca até aquecimento global para justificar empreendimento de criação de camarões e diz não ver conflito de interesse

Um grupo de seis senadores da Bahia e do Espírito Santo elaborou um decreto legislativo com a intenção de anular a chamada zona de amortecimento do Parque Nacional Marinho de Abrolhos. Um dos parlamentares é sócio de um polêmico empreendimento de criação de camarões que, segundo o Ibama e ambientalistas, ameaça os manguezais da região.

O senador João Batista Motta (PSDB-ES) é um dos sócios da Coopex (Cooperativa dos Criadores de Camarão do Extremo Sul da Bahia). A empresa quer implantar no sul da Bahia, entre os municípios de Caravelas e Nova Viçosa, o maior projeto de carcinicultura (criação de camarão) do Brasil, numa área de 1.500 hectares e com investimento de R$ 60 milhões.

O projeto tem apoio do governo da Bahia e enfrenta oposição de organizações ambientalistas como a Conservação Internacional e o Instituto Baleia Jubarte (reunidas na Coalizão SOS Abrolhos), e do Ibama. Eles temem que a carcinicultura vá contaminar com esgotos os mangues que servem de berçário a várias espécies de peixe que habitam o banco dos Abrolhos, o maior conjunto de recifes de coral do Atlântico Sul.

Em maio, o órgão ambiental federal publicou uma portaria estabelecendo a chamada zona de amortecimento do parque, numa faixa de litoral de mais de 200 km entre Bahia e Espírito Santo. Nessa região fica proibida a exploração de petróleo e gás natural, e qualquer atividade econômica com impacto ambiental passa a depender de anuência do Ibama e do conselho gestor do parque nacional -o que dificultaria a instalação do projeto da Coopex.

O Projeto de Decreto Legislativo nº 328/2006, que busca cancelar a zona de amortecimento, é de autoria dos senadores baianos Antônio Carlos Magalhães (PFL), César Borges (PFL), Rodolpho Tourinho (PFL), e dos capixabas João Motta, Marcos Guerra (PSDB) e Magno Malta (PL). Ele diz que a portaria do Ibama está "eivada de vícios", e que "o presidente do Ibama exorbitou suas funções ao restringir atividades na zona de amortecimento" do parque de Abrolhos.
O superintendente do Ibama na Bahia, Júlio Rocha, discorda: "Da perspectiva de análise legal, o Ibama nada mais fez do que cumprir a legislação e a Constituição", afirmou.
Segundo Rocha, no entanto, o Senado tem a prerrogativa de emitir esse tipo de decreto. Se aprovado em plenário, nem o Presidente da República pode vetá-lo. "Não esperamos que seja aprovado", disse.

"Merreca"
O senador João Motta não esconde que é sócio da empresa de carcinicultura. "Eu tenho uma merreca de 50 hectares na Coopex, que eu comprei porque achei que fosse um bom negócio". E afirma não ver "em absoluto" nenhum conflito de interesses entre sua atuação como empresário e o poder de sua caneta como parlamentar.

Motta diz que assinou a proposta de decreto "por entender que é um desrespeito criar área de proteção que implica em desapropriação de propriedades privadas por uma portaria de um diretor do Ibama". Segundo o senador, o objetivo maior do decreto é não inviabilizar a prospecção de gás natural no ES, proibida pela portaria.

O parlamentar acusa os ambientalistas de serem "testas-de-ferro de organizações internacionais que querem impedir o desenvolvimento do Brasil".

Diz ainda que a carcinicultura é sustentável porque reusa a água e ficará longe do mangue. E improvisa um discurso "científico" para defendê-la. "Só o que eles querem é tirar água do mar. E, com o derretimento das calotas polares, isso é a coisa mais sensata que se faz."

Fonte: Jornal Folha de São Paulo – on line

A "Veja" e o Presidente Lula

Roberto Civita, o dono da Editora Abril, pediu ao ex-ministro José Dirceu um encontro com o presidente.

"Não quero falar com esse sujeito", teria reagido Lula à proposta.

Segundo relata o jornalista Attuch, o encontro acabou acontecendo, mas a Abril não encontrou soluções do governo para enfrentar sua dívida de R$ 1 bilhão.

Depois disso, apareceu Roberto Jefferson com o mensalão e Veja se tornou "a publicação com tom editorial mais raivoso em relação ao governo Lula".
(No livro de Leonardo Attuch: A CPI que Abalou o Brasil).

Contraditório, Souto elogia Governo Lula

Na Mensagem da LDO, enviada pelo governador Paulo Souto à Assembléia Legislativa da Bahia, há uma afirmação importante que vale a pena destacar

“O cenário econômico projetado para o próximo exercício leva em consideração as seguintes referências para a economia brasileira:

1 - estabilidade na condução da política monetária, com progressiva convergência do crescimento do PIB nacional para o potencial produtivo da economia;

2 - a manutenção das diretrizes da política cambial; e

3 - a gradual redução da taxa de inflação”.

Para Emiliano José (PT-BA) a citação poderia ter sido feita por qualquer um dos deputados do PT e, se tivesse acontecido isso, haveria muitos protestos dos parlamentares governistas, no entanto, “trata-se do governador Paulo Souto reconhecendo os extraordinários méritos que possui o Governo do presidente Lula, bem como da certeza que possuem até nossos oponentes de que o presidente será reeleito pelo povo brasileiro.”